quinta-feira, 15 de novembro de 2012

PRECISAMOS MESMO DE SONHO E MUITA FILOSOFIA


Dezembro de 1977

A primeira "Visita da Cornélia" tinha vindo ao Porto. Os camarins do velhinho Sá da Bandeira foram distribuídos pelos participantes. A nós coubera-nos, por sinal o melhor e mais isolado e onde só assentavam arraiais os concorrentes do Porto. Porque éramos apenas 3 e não tínhamos quarda-roupa variado, o espaço abundava e durante os ensaios de palco estava praticamente abandonado. Numa tarde em que me encontrava mais cansada decidi ir até ao camarim repousar um pouco. Quando abri a porta fui surpreendida pela presença de alguém, que não conhecia, a afinar uma viola. Olhei admirada pela ocupação indevida do camarim. Antes que eu dissesse alguma coisa, ouvi:
-Desculpe, mas este pareceu-me o único local onde há algum sossego para ensaiar.  Chamo-me Manuel Freire.
Se surpresa matasse eu já estava enterrada desde então. Conhecia-lhe a voz, que adorava e que cantava uma das coisas mais belas deste país de poetas: A Pedra filosofal. Pessoalmente nunca o tinha visto, mas sabia algumas coisas sobre ele porque tinha, como colega da Escola onde trabalhava, uma sua sobrinha. Aceitei pois a presença dele no meu camarim com uma condição: que me cantasse a referida canção. E foi assim que, num momento de sonho, eu ouvi, só para mim e em directo a
PEDRA FILOSOFAL:



Obrigada a António Gedeão que escreveu esta lição de Filosofia e a Manuel Freire que a deu só para mim.

1 Comentários:

Às 16 de novembro de 2012 às 16:57 , Blogger Graça Pimentel disse...

Gente fina é outra coisa!

Beijos

 

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