sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Para aquecer o coração da Gaivota Mimi...

Definição

Quem esquece o amor, e o dissipa,

saberá que sentimento corrompe,
ou apenas se o coração se encontra
no vazio da memória?
O vento não percorre a tarde
com o seu canto alucinado,
que só os loucos pressentem, para que tu o ignores;
nem a sabedoria melancólica das árvores
te oferece uma sombra
para que lhe fujas com um riso ágil
de quem crê na superfície da vida.
Esses são alguns limites
que a natureza põe a quem resiste à convicção da noite.
O caminho está aberto,
porém, para quem se decida a reconhecê-los;
e os próprios passos encontram a direcção fácil
nos sulcos que o poema abriu na erva gasta da linguagem.
Então, entra nesse campo;
não receies o horizonte que a tempestade habita, à tarde,
nem o vulto inquieto cujos braços te chamam.
Apropria-te do calor seco dos vestíbulos.
Bebe o licor das conchas residuais do sexo.
Assim, os teus lábios imprimem nos meus
uma marca de sangue, manchando o verso.
Ambos cedemos à promiscuidade do poente,
ignorando as nuvens e os astros.

O amor é esse contacto sem espaço,
o quarto fechado das sensações,
a respiração que a terra ouve pelos ouvidos da treva.

Nuno Júdice

2 Comentários:

Às 23 de janeiro de 2009 às 22:04 , Anonymous Anónimo disse...

Bem preciso,nem sabes quanto!E é na poesia que eu me enconto todos os dias.Obrigada por te lembrares de mim.Hei-de escrever um dia na bela agenda cor dos nevoeiros das minhas manhãs de infância,junto ao mar-aquela luz coada,que vai invadindo todos os cantos ,tornando-os mágicos.

g.mimi

 
Às 24 de janeiro de 2009 às 17:50 , Blogger Gaivota Maria disse...

Estás a recuperar a tua fantasia e veia poética. Terá sido da agenda? Se foi estás a dar-me um prazer imenso ter gostado do caderninho. Eu adoro coisas deste género. Escreve e pensa no projecto

 

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