terça-feira, 15 de abril de 2008

Graal

As gaivotas falaram-me de ti
Com palavras desenhadas na areia
Ainda molhada da maré.
Disseram-me que contavas histórias remotas
Construídas sobre mitos
Que guardavas fechados
Para os entregares a alguém
Que como tu
Também partilhasse o desejado
E quisesse compreender o incompreensível.

Não sei porque me escolheram
Para confiarem o teu segredo
Mas cada uma repetiu-mo baixinho
À medida que o bando se levantava.
A última, já de longe, disse-me para ir atrás de ti.

Procurei-te na praia.
Esperei-te junto ao mar
No luar de Agosto e nos poentes de Outubro.
Acreditava que as gaivotas iam voltar
Para me confiarem o lugar onde te escondias.
Nenhuma voltou àquela praia.

Tentando decifrar a mensagem das gaivotas
Parti para dentro de mim
Mergulhei no mundo dos meus heróis e utopias,
Menestréis e sonhadores,
Pensando que através dessa loucura intemporal
Me aproximasse de ti
E que dessa forma achássemos,
No nó das duas procuras,
O que ambos desejamos:
O segredo do Graal.


Mariamar

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