quinta-feira, 19 de junho de 2008

AO PRINCÍPIO ERA NADA


Ao princípio era nada:
apenas superfícies brancas
despidas de linhas
de conteúdo
e de formas diversas

Então roubámos
O cheiro das flores
O sabor do mar
A profundidade do céu
O calor do sol
O brilho das estrelas
O crepitar do fogo
Que misturámos
Com as nossas ideias
Memórias
E instintos

E com tudo isto
surgiram
imagens
sensações
pequenas coisas da vida
e muitos afectos

Então cada uma das telas
ligadas apenas pelo fio invisível
que cruza a vontade com o sonho
foram trabalhadas por mãos
que lhes transmitiram
alma e sentido

E o nada desabrochou em Pintura

IL




4 Comentários:

Às 20 de junho de 2008 às 14:00 , Anonymous Anónimo disse...

Tocou-me este poema.
...e quando nos vêm à memória os a nossa infância, como o cheiro dos pinhais de caruma molhada pela chuva, do barulho dos insectos no silêncio quente do campo, dos paladares das comidas feitas na lareira, das contemplações feitas em ribeiras secretas e aquele afago feito pelos avós de mãos calejadas pelo árduo trabalho da lavoura, mas que valiam pelo pote no final do arco-íris....
PARABÉNS!

 
Às 22 de junho de 2008 às 11:34 , Anonymous Anónimo disse...

Este poema é lindo e a pintura que o ilustra (ou talvez seja ao contrário) é igualmente maravilhosa!
Parabéns!
gaivota do sul

 
Às 22 de junho de 2008 às 11:44 , Anonymous Anónimo disse...

Sou eu outra vez... acho o poema lindo, mas os meus olhos não se conseguem afastar da pintura... as cores, a luminosidade... e até se conseguem vislumbrar certos pormenores figurativos que o pincel quis deixar por lá... puro encantamento!
g do sul

 
Às 23 de junho de 2008 às 10:24 , Anonymous Anónimo disse...

Sem palavras...diante das que foram escritas
e as imagens...tantas que se possam imaginar

 

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