quarta-feira, 18 de abril de 2012

ANTERO DE QUENTAL: 18 DE ABRIL DE 1841 / 11 DE SETEMBRO DE1891

IDÍLIO

Quando nós vamos ambos, de mãos dadas,
Colher nos vales lírios e boninas,
E galgamos dum fôlego as colinas
Dos rocios da noite inda orvalhadas;

Ou, vendo o mar das ermas cumeadas
Contemplamos as nuvens vespertinas,
Que parecem fantásticas ruínas
Ao longo, no horizonte, amontoadas:

Quantas vezes, de súbito, emudeces!
Não sei que luz no teu olhar flutua;
Sinto tremer-te a mão e empalideces

O vento e o mar murmuram orações,
E a poesia das coisas se insinua
Lenta e amorosa em nossos corações.

Antero de Quental, in "Sonetos"

3 Comentários:

Às 21 de abril de 2012 às 00:32 , Blogger Graça Pimentel disse...

Um poema lindo que eu desconhecia. Obrigada por ele.
Amanhã rumo, mais uma vez, a Ovar.

Beijos

 
Às 21 de abril de 2012 às 10:33 , Blogger Gaivota Maria disse...

Eu também não o conhecia mas é realmente uma beleza. Boa viagem e cuidado com a doçaria

 
Às 24 de abril de 2012 às 23:24 , Anonymous Anónimo disse...

Eu conhecia.
Lembro-me deste poema,quando as duas vamos até Fuselhas olhar o mar.

G.MIMI

 

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