terça-feira, 19 de agosto de 2008

O ANTES E O DEPOIS...

... APESAR DO ÊXITO DA VANESSA FERNANDES

Há cerca de dois meses vivíamos em Portugal na verdadeira euforia do Euro 2008. Aquilo era favas contadas. Os vários canais de comunicação, escritos, falados e televisivos, enchiam os nossos ouvidos das maravilhas do que ia ser. O país voltou a encher-se de bandeiras e cachecóis. E a esperança no bom resultado que nos tinha fugido em casa, quatro anos antes, reacendeu-se e estendeu-se aos milhares de emigrantes que aguardavam a nossa selecção por terras centro-europeias. Só que aqueles pequenos, portugueses ou emprestados por nacionalizações estratégicas, que ganham milhares nas equipas estrangeiras onde a maioria joga, que fazem malabarismos enormes com a bola, que são os melhores goleadores, quando vestem a nossa camisola não se encontram. De vez em quando lá parecem ter um momento de inspiração e fazem uma habilidade. Mas vencer na final… ou chegar lá… isso é uma história por fazer. Tentam arranjar justificações para português ver só que a mim e a milhares de portugueses já não convencem...
Estamos neste momento no fim da primeira semana dos Jogos Olímpicos. Mais uma vez os meios de comunicação encheram as páginas, os nossos olhos e ouvidos com as maravilhas do que ia ser. O próprio presidente do COP, Vicente Moura, disse em reportagem ao Destak de 8 de Agosto:
“Espero os melhores resultados de sempre. Nos últimos quatro anos, fizemos um trabalho muito rigoroso e oportuno, com a ajuda das federações e o empenho de treinadores e atletas. Desta vez não houve críticas ao processo, o que mostra que o COI soube gerir tudo com rigor. Para estes jogos, em que os critérios de admissão eram mais apertados, classificámos o maior número de sempre de atletas. (…). Depois os resultados obtidos no último ano, sobretudo em 2007, com vários atletas a ganharem títulos e a liderarem os seus rankings, deixam-nos optimistas. Há quatro anos chamaram-me louco por fazer um prognóstico [três a quatro medalhas] àquela distância. Hoje é consensual que há um conjunto de cinco ou seis atletas de quem se espera que cheguem ao pódio e se conseguirem o ouro ninguém estranha. É uma hipótese muito possível. Mas o que eu quero é conseguir mais medalhas do que em Atenas.”
Com isto a esperança raiou novamente nos corações portugueses. Os nossos jornalistas destacados para Pequim têm-se esforçado por a manter insistindo que … apesar de… até estamos no bom caminho. Já lá vão 8 dias. A apregoada fé numa medalha que muitos dos nossos representantes proclamaram à chegada à China, rapidamente se transformou na esfarrapada desculpa de que o que interessava era estar lá, de afinal o importante era bater os recordes nacionais, etc. etc., num discurso diferente do da partida. Isto sem falar na falta de atitude de alguns dos desportistas que deveriam ser os heróis da nossa juventude, como acontecia no espírito olímpico inicial. Ontem ouvi o lançador de peso, Marcos Fortes, a justificar deste modo a sua eliminação: “É complicado isto de manhã… Eu acho, já cheguei à conclusão que de manhã só estou bem é na caminha. Lançar a esta hora foi muito complicado… “. Isto foi dito perante as televisões com um ar sorridente a que o entrevistador chamou o saber perder com bom humor. Se é inaceitável uma expressão destas num amador que pensar ouvindo-a de um atleta de alta competição? Sem comentários!!! Após a sua vitória no triatlo, Vanessa Fernandes pôs o dedo na ferida e foi muito clara ao dizer que para competir e representar Portugal numa competição deste tipo é preciso “senti-lo no coração”.
Nós sabemos que não somos os melhores do mundo. Precisamos é de assumir as nossas limitações, esforçarmo-nos por as superar e não confundir campeonatos internacionais e jogos olímpicos como umas férias, pagas pelos contribuintes portugueses, em sítios exóticos. E por favor, senhores dirigentes e representantes da nossa comunicação:
PAREM DE APREGOAR ANTES O QUE NÃO CONSEGUEM EXPLICAR DEPOIS

E QUE VENHAM OS PARAOLÍMPICOS EM SETEMBRO PARA MOSTRAR A ESTA GENTE COMO É QUE ERA ANTES E VAI SER DEPOIS

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3 Comentários:

Às 21 de agosto de 2008 às 21:07 , Anonymous Anónimo disse...

Mereceu o ouro pela postura, pela humildade, pelo empenho, pela alma, pela defesa das cores de um país que não sendo dele por nascença é o dele de coração, viva o Nelson Évora.
Este sim provou que não é na caminha que se coquistam vitórias e que os problemas pessoais ficam fora das competições; e que as lutas são com os adversários e não com os árbitros.
Também eu aguardo a representação dos paraolímpicos.

(Gaivota da Beira Tejo)

 
Às 21 de agosto de 2008 às 22:15 , Blogger Gaivota Maria disse...

Quer a Vanessa quer o Nelson tiveram uma perfeita atitude de campeões olímpicos: sem vaidade, de sorriso na boca e bandeira às costas elas deram uma lição do que é obter, usufruir e partilhar uma vitória.
Bem vinda ao nosso convívio de pois de todos esse movimento de verão que parece ter acabado com um belo baptizado. Parabéns Bibó

 
Às 24 de agosto de 2008 às 13:56 , Blogger Graça Pimentel disse...

Depois das atitudes que tomou Vicente Moura ao demitir-se antes do fim dos jogos e voltar atrás depois da medalha do Nelson Évora, todos os atletas estão perdoados. O responsável pela representação portuguesa em Pequim é o mais irresponsável. À portuguesa...

 

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