terça-feira, 8 de dezembro de 2009

SILOGISMOS

A minha filha perguntou-me
o que era para a vida inteira
e eu disse-lhe que era para sempre.
Naturalmente, menti,
mas também os conceitos
de infinito são diferentes:
é que ela perguntou depois
o que era para sempre
e eu não podia falar-lhe em universos
paralelos, em conjunções
e disjunções de espaço e tempo,
nem sequer em morte.
A vida inteira é até morrer,
mas eu sabia ser
inevitável a questão seguinte:
o que é morrer? Por isso respondi
que para sempre era assim largo,
abri muito os braços,
distraí-a com o jogo que ficara a meio.
(No fim do jogo todo,
disse-me que amanhã
queria estar comigo para a vida inteira)

Ana Luísa Amaral

Podem ouvir esta poesia em
http://www.truca.pt/ouro/poemas_est_raposa/ana_luisa_amaral_silogismos.mp3

3 Comentários:

Às 8 de dezembro de 2009 às 20:10 , Blogger Graça Pimentel disse...

Gaivota Maria
Estive há pouco tempo no lançamento do livro "Se fosse um intervalo" da Ana Luisa Amaral.
Para ser franca mesmo, devo dizer que não gostei muito. Já li poesia bem mais bonita. São gostos...

Beijo

 
Às 8 de dezembro de 2009 às 20:38 , Blogger Gaivota Maria disse...

Esta fase dela também não me agrada muito. Os primeiros livros, quanto a mim, foram bastante mais agradáveis. Agora ela deviou-se para uma poesia mais figurativa e ãté menos incompreensível. Beijo

 
Às 8 de dezembro de 2009 às 22:13 , Blogger Gaivota Maria disse...

A poesia que está postada é do 2º livro dela. É só ler para ver a diferença.

 

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