sexta-feira, 23 de maio de 2008

TERNURA

Eu te peço perdão por te amar de repente
Embora o meu amor
Seja uma velha canção nos teus ouvidos
Das horas que passei à sombra dos teus gestos
Bebendo em tua boca o perfume dos sorrisos
Das noites que vivi acalentando
Pela graça indizível
dos teus passos eternamente fugindo
Trago adoçurados que aceitam melancolicamente.

E posso te dizer
que o grande afecto que te deixo
Não traz o exaspero das lágrimas
nem a fascinação das promessas
Nem as misteriosas palavras
dos véus da alma...
É um sossego, uma unção,um transbordamento de carícias
E só te pede que te repouses quieta,muito quieta
E deixes que as mãos cálidas da noite
encontrem sem fatalidade
o olhar estático da aurora.

Vinícius de Moraes

1 Comentários:

Às 26 de maio de 2008 às 23:32 , Anonymous Anónimo disse...

Espero que os dias de descanso tenham sido bem agradáveis!
Bem-vinda
gaivota do sul

 

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