sábado, 19 de julho de 2008

A COIMBRA QUE EU SONHAVA E NÃO TIVE

Em Outubro de 1961 cheguei a Coimbra pronta a passar ali uns 5 anos da minha vida para fazer a licenciatura em Filosofia (esqueçam este pormenor porque a Filosofia foi um acontecimento esporádico da minha vida). Coimbra era um sonho para toda a menina da minha geração que abandonava o liceu: rapazes galantes, pais longe=liberdade total, latadas, queimas e serenatas, muitas serenatas... A minha chegada a Coimbra foi um sonho feito realidade. Contudo depressa o sonho se desfez: não simpatizei grandemente com o curso, estava num Lar e as freiras eram mais severas que os meus pais e descobri, porque o Lar era mesmo em frente à Pide, que havia uma certa instabilidade devida a rumores e depois factos, de que se vivia uma época revolucionária. Estou a falar da 1ª das crises académicas, a de 1962. Não vou aqui falar de tudo quanto aconteceu. Nunca mais acabaria. Tenho essa crise descrita tal como a vivi, nas cartas que escrevia ao namorado. Vou falar-vos apenas do que esperava e não aconteceu: não houve queima e quanto a serenatas... apenas assisti a uma que me deixou uma terrível impressão. Um grupo do Porto fundou uma espécie de República - o Solar dos aracnídeos. Depois de bem festejada a inauguração foram até ao Lar fazer uma serenata. Só que a bebedeira era tal que não deu para perceber muito bem o que aquilo era: uivos? gritos? gargalhadas? Foi um terrível pesadelo, que nem sonho foi. Graças a Deus, a minha paixão pelo Fado de Coimbra manteve-se intacta. Também não acabei o curso naquela cidade. Motivos pessoais graves, impediram-me de fazer todos os exames. No ano seguinte abriu a Faculdade de Letras no Porto e para lá fui reencaminhada. Foi o primeiro curso desta Faculdade. Foi uma época muito interessante! E assim garanti pelo menos uma serenata anual - a da Queima. Também havia então boas vozes no Porto.
Hoje aqui vos deixo um dos fados de que mais gosto e que encontrei algures neste mundo Virtual. Obrigada a quem lá o pôs.

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