sábado, 12 de dezembro de 2009

COLABORAÇÃO DA GAIVOTA DE SERRALVES

Ladainha dos póstumos Natais

Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que se veja à mesa o meu lugar vazio
Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que hão-de me lembrar de modo menos nítido

Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que só uma voz me evoque a sós consigo
Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que não viva já ninguém meu conhecido

Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que nem vivo esteja um verso deste livro
Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que terei de novo o Nada a sós comigo

Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que nem o Natal terá qualquer sentido
Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que o Nada retome a cor do infinito.

David Mourão-Ferreira

Beijinho

2 Comentários:

Às 14 de dezembro de 2009 às 23:13 , Blogger Graça Pimentel disse...

Obrigada por teres colocado aqui este poema que é triste mas realista. Há muita gente que vai ter este Natal e, para eles, fica a minha lembrança.

Um beijinho

 
Às 15 de dezembro de 2009 às 09:15 , Blogger Gaivota Maria disse...

Sempre gostei muito do David Mourão Ferreira. E este poema é muito especial porque o ouvi dizê-lo na TV. E sobretudo porque me lembra muito a minha mãe que morreu, de repente, 15 dias antes do Natal. Posso dizer-te que se fez o Natal na mesma, toda a gente tinha os seus presentes, que ela já comprara, todos conseguimos falar dela mas... foi muito difícil.Beijinhos, irmã de Serralves

 

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