quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

GAIVOTAS + LISBOA: QUE COMBUSTÃO! GRANDE O'NEILL

Congresso de gaivotas neste céu
Como uma tampa azul cobrindo o Tejo.
Querela de aves, pios, escarcéu.
Ainda palpitante voa um beijo.

Donde teria vindo! (Não é meu...)
De algum quarto perdido no desejo?
De algum jovem amor que recebeu
Mandado de captura ou de despejo?

É uma ave estranha: colorida,
Vai batendo como a própria vida,
Um coração vermelho pelo ar.

E é a força sem fim de duas bocas,
De duas bocas que se juntam, loucas!
De inveja as gaivotas a gritar...

Alexandre O'Neill, in 'No Reino da Dinamarca'

2 Comentários:

Às 9 de dezembro de 2009 às 23:10 , Blogger David Campos Correia disse...

Escrevi um pequeno texto sobre gaivotas. Curioso, só vi o poema aqui depois de o ter escrito. Às vezes as ideias surgem iguais e em simultâneo, mas tão diferentes!

Beijo

 
Às 10 de dezembro de 2009 às 18:44 , Blogger Gaivota Maria disse...

Querido David
Que belas palavras tem nas tuas gaivotas! Espero que a Medicina não nos faça perder um escritor. Um beijinho

 

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