sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

O QUE FIZERAM DO NATAL

Natal
O sino toca fino.
Não tem neves, não tem gelos.
Natal.
Já nasceu o deus menino.
As beatas foram ver,
Encontraram o coitadinho
(Natal)
mais o boi mais o burrinho
e lá em cima
a estrelinha alumiando.
Natal.

As beatas ajoelharam
e adoraram o deus nuzinho
mas as filhas das beatas
e os namorados das filhas
foram dançar black-bottom
nos clubes sem presépio.

Carlos Drummond de Andrade

2 Comentários:

Às 12 de dezembro de 2009 às 14:22 , Blogger Graça Pimentel disse...

Nesta época do ano lembro-me particularmente de uma amiga minha (que em Janeiro vai jantar connosco) que tinha um único filho acabado de se formar em Economia e que morreu Há dois anos num desastre na Circunvalação. Nesse ano coloquei-lhe no meu blogue um poema que aqui deixo para todos os que, neste Natal, têm um lugar vazio à mesa.

Ladainha dos póstumos Natais

Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que se veja à mesa o meu lugar vazio

Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que hão-de me lembrar de modo menos nítido

Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que só uma voz me evoque a sós consigo

Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que não viva já ninguém meu conhecido

Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que nem vivo esteja um verso deste livro

Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que terei de novo o Nada a sós comigo

Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que nem o Natal terá qualquer sentido

Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que o Nada retome a cor do infinito.

David Mourão-Ferreira

Beijinho

 
Às 12 de dezembro de 2009 às 15:17 , Blogger Gaivota Maria disse...

Obrigada, minha amiga. Como cresceste para o lado de Serralves passas a ser a Gaivota de Serralves

 

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