segunda-feira, 2 de junho de 2008

SEDUÇÃO


Queria ter-te comigo
Para gozar este sol
Que o Verão prenuncia.
Passearíamos pelo parque
A que a chuva carregou os verdes
E encheu os lagos
Onde nadam famílias de patos,
Envergonhadas pela imponência do deslizar dos cisnes.
Talvez preferisses sentar-te num banco
E aspirar o perfume da terra
Enquanto me acariciavas as mãos
E me contavas como decorrera o teu dia.
Contudo, se fosse eu a escolher,
Arrastar-te-ia para a beira-mar
Onde eu sou mais eu
Porque me confundo
Com a profundidade do horizonte azul
E é minha a voz das gaivotas.
E não te iria falar do meu dia
(os meus dias são todos tão iguais
Que não valem a sua referência).
Levar-te-ia pela areia
Do castelo até ao molhe
E voltaríamos pelas mesmas pegadas
Que teríamos feito na ida,
Tecendo uma rede de traços
Que se cruzariam e afastariam
Em dança de sedução.
Depois, era só esperar
Num silencioso olhar
Que o poente se apagasse
Dando a vez ao amor
Para o cativo partir
Pela mão do sedutor.


Moi Même

3 Comentários:

Às 3 de junho de 2008 às 00:42 , Anonymous Anónimo disse...

Moi même,não seria capaz de fazer um poema assim.Este desafio tira-me o pio.


piiiiiiiiu,piiiiiiiiiiiiiu


g.maria(a perdida nas palavras)

 
Às 3 de junho de 2008 às 10:44 , Blogger Gaivota Maria disse...

Pois é... Depois do cansaço veio a inspiração. Eu acho que tenho que agradecer mais à chuva porque foi tanta que eu tinha que arranjar entretimento intelectual para não ficar estúpida. Parece que resultou. Se passei na tua tesoura...

 
Às 6 de junho de 2008 às 02:44 , Anonymous Anónimo disse...

"A poem is never finished, only abandoned." -Paul Valery

 

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