quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

AFINAL HAVIA OUTRA... RAZÃO

A semana passada fui a Lisboa em visita de estudo com a minha Universidade Sénior Florbela Espanca. Entre responsáveis, alunos, amigos de alunos e guia, éramos 60 pessoas. O plano de visitas considerava a Assembleia da República, a Igreja de S. Roque e o seu museu sacro, a Basílica e o palácio de Mafra. O almoço final, momento de sabores e amizade foi bem juntinho ao mar, numa tarde linda e quente de sol, no Hotel da Ericeira. Não vou desdobrar-me nesta crónica por todos estes locais. Restringir-me-ei a falar daquele menos acessível ao grande público e simultaneamente o que maior curiosidade nos desperta: A Assembleia da República. A ela tivemos acesso através da nossa conhecida ex-vereadora e agora só deputada, a matosinhense Dra. Luísa Salgueiro. Recebeu-nos de uma forma admirável, com a sua habitual generosidade e simplicidade, e só não nos acompanhou durante o tempo em que este presa no hemiciclo devido a uma votação. Visitámos tudo quanto era possível no palácio e ali almoçámos. Mas o que mais nos satisfez, pelo menos a mim, foi o poder assistir a parte de uma sessão de debate de uma proposta apresentada em conjunto pelo PS e CDS. Dada a importância do facto, praticamente todos os deputados estavam presentes (pelo menos fisicamente, como veremos mais à frente). Quando entrámos nas galerias, sentimos que estávamos a entrar num espécie de sala, tipo sala de aula, em que um professor expunha a lição enquanto toda a turma fazia o que entendia, perfeitamente alheada do que se passava (de ressalvar que os único atentos pareciam os da mesa da presidência). Assim uns e outros deputados falavam entre si, levantavam-se e iam de passeio até outro lado, gritavam bocas, saíam da sala para entrar pouco depois, jogavam no computador que tinham à frente, liam as notícias nos jornais do dia (online ou em papel), respondiam a emails, etc…, etc…, etc …. Resumindo um alhear absoluto ao que tinham à volta. Quando um orador se calava era mandado o outro falar. Creio que os restantes presentes nem por isso davam, a não ser quando alguém da sua própria bancada batia palmas que eles logo acompanhavam também distraidamente. Confesso que fiquei siderada e revoltada com a situação. Não assistimos à votação porque chegava a hora do almoço. Terminado este, comido na cantina do palácio, voltámos à visita, desta vez já com a companhia da Dra. Luísa Salgueiro. Não sei se alguém lhe comentou o nosso espanto sobre aquilo a que assistíramos. Mas quando, na antiga e bela sala da extinta Câmara Corporativa, dirigiu ao grupo algumas palavras, iniciou-as exactamente para nos explicar a razão da “aparente” rebaldaria existente no hemiciclo. Assim ficámos a saber que as propostas são previamente apreciadas e discutidas em comissões nomeadas por especialidades e de que fazem parte elementos de cada um dos partidos. Dessas comissões saem as tomadas de posição partidárias sobre o assunto em causa e que serão posteriormente defendidas no hemiciclo por elementos para isso designados. Isso explica que enquanto estes se digladiam em público os restantes deputados aproveitem o tempo privado para fazer o que lhes dá na real gana. Só têm é que estar presentes na hora da votação. E foi assim que eu, e quantos me acompanhavam, aprendemos que afinal havia outra razão que nos explicasse o mau aspecto que os nossos deputados dão ao país durante os debates parlamentares. É que naquelas sessões a grande maioria não tem mesmo mais nada que fazer pela vida a não ser votar. Durante todo o tempo só trabalha a meia dúzia designada para o combate.
Serão precisas mais explicações? Aceitei-as, mas não me convenceram. Continuo a não gostar daquele comportamento que considero uma falta de respeito a todos os portugueses que são os verdadeiros patrões daqueles senhores.
(Crónica publicada em Matosinhos Hoje de 26.1.2010)

2 Comentários:

Às 29 de janeiro de 2010 às 21:50 , Blogger Graça Pimentel disse...

Acabei de fazer o meu comentário no destramar.
Gostei do artigo que não diz mais que a verdade.

beijinho

 
Às 30 de janeiro de 2010 às 09:13 , Blogger Gaivota Maria disse...

Só uem lá vai é que pode acreditar. Eu julguei que aquilo era impossível. Como continuamos parvas... Vou já ao Destramar

 

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