terça-feira, 26 de janeiro de 2010

RUMAR DE NOVO

O sol surgiu redondo
Do lado da cidade
E coloriu de rosa
O azul do mar.
Levantei-me de mansinho
Sacudi as penas
E fiz um voo curto
Para me alongar
E recuperar do pânico da noite que findara.
Pousei na orla da maré.
Olhei para o alto
E pareceu-me ver,
Se bem que longe,
Um vulto ondulante de gaivota.
Aguardei ansiosa
Que se aproximasse
Para desfazer a minha dúvida
E confirmar a minha esperança.
E eis que ela chegava.
Num movimento em arco
Deslizou para junto de mim.
Cobriu-me com as asas
Cansadas de me procurarem,
segundo segredou.
Encantada
Abriguei-me nas suas penas
E mesmo sem falarmos
Percebi que não fora abandonada.

Olhei o céu
Olhei o mar
E no beijo que trocámos
Descobri
Que voltava a ter rumo novamente

6 Comentários:

Às 26 de janeiro de 2010 às 13:16 , Anonymous Anónimo disse...

Leio a poesia de SS e ponho-me a magicar... a que primeiro foi apelidada de Soror Saudade viveu e morreu em Matosinhos e o seu espirito deve ter andado por lá a vogar... finalmente encontrou quem procuraca... esta SS!...

Já agora e do Livro de Soror Saudade:

DA MINHA JANELA
Mar alto! Ondas quebradas e vencidas
Num soluçar aflito e murmurado...
Voo de gaivotas, leve, imaculado,
Como neves nos píncaros nascidas!

Sol! Ave a tombar, asas já feridas,
Batendo ainda num arfar pausado...
Ó meu doce poente torturado
Rezo-te em mim, chorando, mãos erguidas!

Meu verso de Samain cheio de graça,
Inda não és clarão já és luar
Como branco lilás que se desfaça!

Amor! teu coração trago-o no peito...
Pulsa dentro de mim como este mar
Num beijo eterno, assim, nunca desfeito!...

Florbela Espanca

Com amizade da
gaivota do sul

 
Às 26 de janeiro de 2010 às 15:58 , Blogger Gaivota Maria disse...

Acertou. Em Matosinhos há quem esteja na linha da outra soror Saudade. Aliás foi a primeira poetisa de que ouvi falar. todos os dia, a caminho do colégio passava pela casa em que ela morrera. E conheci, ainda que mal por ser muito pequena, o seu viúvo, o Dr. Mário Lage. Obrigada pela porsia escolhida. Já não faço sonetos há anos. Fico presa na estrutura. Sou mais rebelde com os Cânones. Um abraço

 
Às 27 de janeiro de 2010 às 21:34 , Anonymous Anónimo disse...

Gosto de a «ver» mais animada!
Calculo que o temporal esteja a amainar...

O poema que lhe deixo foi publicado no 650º aniversário da morte de Inês de Castro.


ETERNA PARTIDA

Longe na bruma dum tempo que passa
e não se percebe se é ou já foi
eu vejo-te aos poucos voar para fora
dum sonho secreto que amámos os dois...
Mas voa, avezinha, levanta-te agora,
desdobra os teus sonhos como asas de vento!
Bebe o ar alto, faz-te condor
sem um lamento, sem um momento
em que olhes de volta e me vejas a dor
de te ver partir além-fantasia
que chega ao seu fim...
de te ver fugir da vida vazia
que fica comigo
p' ra justo castigo
de te amar assim...
Foste musa, poesia, aurora e fragrância
Deusa pagã, virgem, irmã,
altar ritual de transes de amor...
e dor... também dor,
qual luz de mil sóis de infinito calor
que vivi e sofri, que te dei e me deste
em mergulhos perdidos no fundo de nós.
Foste o meu Norte, o meu Sul, o meu Leste,
a droga que encheu o meu sangue de vida
segredada a sós,
sussurrada a dois
e que eu sempre soube dever aprender
a ter de perder...
um dia... depois...
e sempre depois,
na bruma dum sonho que eu queria sem fim
mas que só podia
existir sem mIm!...
Foram dias e noites e meses e anos
contigo em segredo a encher-me o vazio
do saco fechado deste viver!
...mas nada mudou,
anda cá, anda ver:
os olhos cansados que embalam futuros
de incerto horizonte do vácuo que sou
mantêm fiéis a promessa perene
que fiz em silêncio,
de te serem puros,
de te amarem sempre!
Nada mudou!
Nem em mim nem em nós.
só mudaste tu, como tinha de ser,
e mesmo sem querer, ficámos mais sós...
Vou partir p'ra bem longe da dor que há em mim
e saber acordar de novo sozinho.
Vou fazer assim em defesa do ninho
a que tu tens direito com alguém que o mereça...
...mas antes que esqueça, porque isso não posso,
vou guardar tudo aquilo que um dia foi nosso
num canto secreto do meu coração
que, queiras ou não, será sempre teu!
Aí, por mais voltas que o destino invente,
Vives tu, meu amor, eternamente!

(Pedro Laranjeira).

Até breve.

Jorge Antunes

 
Às 27 de janeiro de 2010 às 22:11 , Anonymous Anónimo disse...

Agora é que gabion foge!Coitado tenho pena dele,Este blog está muito intelectual.Até eu estou quase a desistir.Gostei do teu telefonema.Hoje estava com neura nem nos meus livros peguei.Esperemos que a g do sul não morra congelada.
Espero que a g do sul não morra congelada,logo ela que adora o sol.

um abraço de asas abertas

g.mimi

 
Às 27 de janeiro de 2010 às 22:13 , Blogger Gaivota Maria disse...

Mais uma belíssima poesia. Não a conhecia. Mas vai ficar bem guardada porque eu sou um fã da mítica Inês. Infelizmente para ela, não viveu a bonança depois do temporal. Eu estou realmente menos stressada. Tudo está bem quando acaba bem.
Boa viagem e um beijo à sua mãe. Ela gostará de ver o post do Madison County se viu este filme em que a nossa geração se revê.
Um abraço

 
Às 27 de janeiro de 2010 às 22:29 , Blogger Gaivota Maria disse...

Ainda bem que a minha voz te apaziguou. E a minha leitura também, se já lestes o tesxto da semana. Um abraço

 

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