sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Véu de noiva

Adoro o mar. Então ver ali um por do sol dá-me uma paz enorme. Nunca gostei muito de praia. Talvez isso tenha a ver com o facto de em pequena ter sido obrigada a fazer religiosamente praia, por motivos de saúde, com um horário rígido estabelecido pela minha mãe. Quando fui mãe, lá levei as crianças para a praia e até elas passarem a ir sozinhas foram anos de sacrifício. Há um mês atrás voltei a ele. de uma consulta médica trouxe como receita médica passeios pela orla do mar e sol com iodo. E lá vou eu todas as manhãs de cesto fazer a minha obrigação de 2 horas ( que eu vou reduzindo aproveitando a justificação do vento que passa e incomoda). Espero que este sacrifício se traduza num inverno saudável, para esquecer o do ano passado.
Apesar de tudo continua a adorar o mar mas... gozado de uma esplanada abrigada com um vinho branco fresquinho e uma boa conversa com amigos.
Contudo há outro pormenor marítimo que desde criança eu gosto muito: Resido numa zona de porto de mar, numa cidade que já viveu dependente essencialmente da pesca. A nossa entrada na UE mudou esta situação. Reduziu-se o número de barcos de pesca, desapareceram quase os pescadores (muitos dos quais emigraram) e a indústria de conservas ficou limitada a meia dúzia de fábricas. Parece contudo que a situação está a dar uma volta para melhor. E com esta conversa, ainda não cheguei ao que quero dizer com o título deste texto: Véu de Noiva. Dos momentos mais belos que alguém pode ter quando está nas nossas praias são os do regresso dos barcos de pesca à doca, quando vêm cheios de pescado. É que em volta deles vem sempre uma nuvem de gaivotas que se estende sobre a água e o barco qual véu de noiva em dia de vento. E como os barcos entram por vezes quase em fila, há milhares de véus a esvoaçarem sobre a água. Hoje de manhã tive um momento assim. Valeu pois o sacrifício que fiz por ter estado na praia.


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